sábado, 23 de fevereiro de 2013

Crónica Benzodiazepina


Aos senhores da furda!

Isto que estamos presenciando é que não pode continuar. Isto termina fatalmente por um crime ou por uma revolução”
Júlio de Vilhena (1907) 

Esta é a democracia de uma Europa encarcerada num redil de teutões. A democracia da europa-quintal daquela senhora com ar de nazi mascarado de demo-tecno-crata. Da eurocracia e dos milhões gastos por Bruxelas. Esta é a democracia do faz-te-à-vida, do atropela quem quiseres para chegar a um lugar destacado na roubalheira nacional ou até europeia. Esta é a democarcia dos neo-liberais, dos privados, dos capitalistas. Dos especuladores e dos arrivistas. Esta é a democracia dos corruptos, dos acumuladores de riquezas à custa do erário público e da fome do povo. Dos que roubam milhões impunemente, em proveito próprio. Esta é a democracia dos ladrões de cartola, dos que roubam sem pistola. Dos que ameaçam, dos que prejudicam, dos que mandam a polícia carregar sobre os que não estão de acordo. Esta é democracia onde se discutem pintelhos, onde se manda tomar no cu sem pedir factura. Onde cada um dos mandadores tem um papel de seda para limpar a cara de cu de quem toma ares de poder. Esta é a democracia da refundação do fascismo, da implosão do estado social. Do desespero e da pobreza, da raiva cada vez menos contida. Da constituição ultrajada e do sonho socialista desfeito. Esta é a democracia dos cavacos, do bolo-rei colado aos dentes, dos mexericos entre-dentes. Esta é a democracia dos lobies obscuros, dos apadrinhados e dos padrinhos. Dos tachos e dos arranjinhos, para os filhos, para os netos, para os afilhados e para os sobrinhos. Esta é a democracia dos boçais, da Maria e do senhor Silva. Dos Jotinhas que desde imberbes aprendem a sugar nas maminhas do Estado. Este é o triunfo dos porcos. Eles são os senhores da furda, e a seu cargo e desmando têm uma larga vara de leitões de engorda. Esta é a democracia dos senhores da porcaria. Dos incompetentes. Dos bandos de malfeitores de banca, dos traficantes de favores do avental e da obra divina. É o reino onde já não há rei nem roque e tudo está posto em cheque. Esta é a democracia da selva. Do coelho armado em caçador, da ervas daninhas que se dizem relvas. Esta é a democracia dos indigentes políticos. Esta é a democracia possível, dizem eles. Pois, isto, isto não é nenhuma democracia. Nem a sua aparência, ao menos. Não é a minha democracia, não é a nossa democracia. Esta não é a democracia que vinha no menu quando votámos. Esta não é a democracia de ninguém. Esta não é a Democracia: esta é a cracia do demo, um poder satânico e maléfico. Esta massa viscosa e de mau odor, não é sequer um débil ensaio de uma democracia. Numa Democracia o povo manda e não é explorado por um governo de malas artes. Numa verdadeira Democracia estes políticos serão julgados pelos graves crimes que já cometeram e continuam a cometer contra o seu povo. Contra os que confiaram neles.
Só no patíbulo – e edificada sobre os vossos cadáveres –, senhores da furda*, se fará a Democracia, a verdadeira Democracia! E por último, vos digo que sigais o conselho do culto secretário desavindo: Ide tomar no cu para longe, enquanto ainda tendes pescoço! Basta! 

*Furda – curral tipíco da Beira Baixa onde vivem os bácoros. 


Joshua Magellan

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