sábado, 18 de agosto de 2012

Crónica Benzodiazepina



Adeus tristeza

Não me lembro se já escrevi sobre ele, mas a verdade é que tenho por ele uma enorme admiração. Ele, neste caso, é o Professor Júlio Machado Vaz. Já tive oportunidade de falar com ele, numa tertúlia, e a admiração que já sentia, aumentou. Gosto do seu riso franco e bem-disposto, da maneira como coloca as questões e as desmistifica. Simplicidade é o termo que me ocorre. De vez em quando espreito o seu blogue e é sempre um prazer. Hoje encontrei um post antigo, onde escreve: A tristeza tornou-se obscena (…) numa sociedade que abomina a angústia e a degola à força de pastilhas…
Não posso deixar de pensar sobre isto. Estar sempre triste pode ser um indício de algo mais grave. Estar triste de vez em quando faz parte. Quando a tristeza chega – e, inevitavelmente, ela acaba sempre por chegar - por vezes tento enganá-la, não com a pastilhinha mágica, mas nas lojas. Faz bem à alma (e mal à carteira). Há alturas em que funciona. Quando é uma tristeza maior, acabo por me render e deixá-la ficar uns tempos, sabendo sempre que está de passagem. Não lhe dou confiança para se instalar definitivamente. Se tenho de senti-la, sinto-a, vivo-a, e depois deixo-a ir. Há sentimentos que não podemos evitar e só nos resta aprender a melhor forma de lidar com eles. E isso só se aprende vivenciando-os.


Missanga

1 comentário:

Sod o Pérfido disse...

Como é possível reconhecer o Céu, sem conhecer o Inferno?