sábado, 11 de junho de 2011

Crónica Benzodiazepina


a diferença entre um homem BlackBerry e um homem iPhone

Deitado na cama, ao final da primeira manhã, carrega nas teclas do BlackBerry com mal disfarçada indiferença para consultar os últimos e-mails recebidos. E debita informação que não me interessa particularmente... até que: "Jamais serei um homem de iPhone". E eu que interessada nele estou fico a pensar naquilo, mas não lhe digo. Viro-me para o outro lado e prometo-me escrever sobre o assunto, como todos os dias me prometo alguma coisa que nem sempre cumpro.
Impossível não cumprir, para onde quer que me vire há sempre um telemóvel com um homem atrás. E variam. E eu volto a pensar naquilo. E meto no Facebook um homem a sair do chuveiro de telemóvel na mão com a legenda: "Existe uma clara diferença entre um homem que tem um iPhone e um homem que tem um BlackBerry. Um dia explico".
A 'guerra' entre iPhone e BlackBerry é (por mim) tão ficcionada e real como a que existiu entre os Rolling Stones e os Beatles, os Blur e os Oasis, a Simone e a Iglésias. É uma luta de conceitos, de estados de ser, de egos arquetipados. Por isso nem chegam a interessar outras marcas, outros modelos, como nunca interessou nas guerras musicais fabricadas pelos média se o público ouvia sequer esses protagonistas ou gostava mais de outros. Por isso, aos homens que não usam nem BlackBerry nem iPhone eu consigo aplicar a mesma diferença. O iPhone e o BlackBerry são máquinas que conseguiram criar, mesmo não as adquirindo, um branding identitário.
Os que utilizam ambas são maximizers, não necessariamente mais completos, mas seguramente (ainda) mais complexos.
Um homem que use iPhone, normalmente, não usa um BlackBerry, e vice-versa. Não fiz nenhum estudo psico-sociológico ou inquérito. Apenas me limito a observar, a ouvir e, imagine-se, a calar (a fase da congeminação).
Não tem a ver a diferença com o pragmatismo versus estética. Black's e iP's podem ambos apreciar a estética e a funcionalidade, e a máquina ao serviço das suas tarefas quotidianas, como extensão mecânica e tecnológica do ser.
Também não tem a ver, a diferença, com a grossura dos dedos, mas sim com a agilidade. Um homem que tecla não tem paciência para tactear. Um homem que tacteia não tem, quase sempre, a força para agir e carregar com a precisão necessária na tecla certa, nos actos que cumprem as suas ambições.
Isso faz do homem BlackBerry um ser mais ambicioso? Sim. A ambição de quem quer conquistar o mundo. Alguns até querem salvá-lo. O homem iPhone quer vivê-lo, e é menos focado. Qual o melhor? Os dois, cada um com o melhor dos seus mundos, sendo que um e outro podem ter o mesmo sucesso.
Os Berry's andam mais às apalpadelas no mundo. Tendem a ser mais indefinidos emocionalmente. Os Phone's investem mais no lado emocional, compensando o que lhes falta, por vezes, no lado profissional.
Os iP's dão mais atenção às mulheres. Arranjam mil e uma aplicações para cativá-las, para as apanhar a jeito. Se uma não funciona, procuram outra (aplicação). Os Black's dão mais trabalho às mulheres. São elas que têm de aplicar-se. Se uma não funciona, procuram outra (mulher).
Qual deles tem mais capacidade de amar? Ambos. Não vale a pena, por isso, escolhê-los ou exclui-los em função do telemóvel. É uma questão de tacto e de carregar na tecla certa. As mulheres conseguem ser tudo, na guerra e no amor. São I-Berry-Phone. Têm todas as teclas e um ecrã inteiro de aplicações difíceis de gerir. A sério.


Ana Santiago

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