sexta-feira, 29 de abril de 2011


A nova era

Pressentimo-la. Uns mais, outros menos, mas, como uma espécie de substância psicotrópica, essa percepção vai entrando lentamente na corrente sanguínea até dos mais alienados ou pragmáticos. É incontornável. O mundo, tal como o conhecíamos, está a mudar. O ser humano também. Não vale de muito a pena dizer como é que a mudança se está a processar. Basta dizer que a mesma se opera a vários níveis, abrangendo áreas tão vastas como a economia, a forma de estar, a consciência. Para uns, este barco, que lentamente abandona o cais, está ao seu alcance. Não o entendem, mas sabem instintivamente que aquele é o barco a seguir. Para outros, é o desnorteamento total. Apegam-se ao velho e ao conhecido como náufragos a uma bóia e quando já não há mais chão enlouquecem. Sempre houve loucos, desequilibrados, inconscientes. Mas há pequenos/grandes acontecimentos que actualmente me sugerem outra coisa. Há qualquer coisa de desnorteamento que atinge níveis verdadeiramente macabros onde antes não se supunham. Esse fenómeno também atinge diversos níveis, politica, economia, consciência (ou ausência dela).
É curioso o efeito que esta constatação tem em mim. Assisto à distância às notícias do dia. Fico pasmada com o que ouço. Por outro lado, uma saliva de desejo de renovação brota-me das glândulas salivares. Sinto-a a chegar, essa "Nova Era", vejo-a a espalhar-se como uma névoa cinzenta, lenta e majestosa. Por vezes, o velho tem que cair para se erguer o novo.


Lucinda Gray

1 comentário:

Sus disse...

Um sentimento do qual partilho!