terça-feira, 11 de maio de 2010

Palavras Versadas

Vivo-te

Vivo-te numa melopeia rectangular
Entre dois ais perdidos
Como se eu fosse a terra e tu a noite
Numa quimera de sentidos
Em tons de ameixa carnuda
Com as mãos abertas os olhos cerrados

Irrespiravelmente preenchida
Entre o teu corpo irrequieto

Quedo-me por omissão
Do calor indelével que quero
E que tu já não tens

Berenice Greco

1 comentário:

Renato C. disse...

Acho que estás a espreguiçar-te. Mas gostava de te ver esticar mais as pernas, os braços, as falanges, falanginhas e falangetas. Ou seja, não te escondas demasiado atrás das figuras e das metáforas - temos de ver-te uma nesga de carne, de sangue e a saliva que acompanha o vómito, ou não teremos a certeza se veio de dentro ou se é uma máscara de barro para efeitos de beleza. Says I.