quinta-feira, 15 de abril de 2010


Visões do Japão

Ali estava ela sentada, num banco do átrio, numa espera de quem espera pela hora de entrada. A sua ansiedade reflectia-se no movimento corporal, impaciente. Conhecia-o virtualmente, conhecia a sua imagem a partir de uma fotografia, mas ficou imediatamente apaixonada. Entrou numa sala e ei-lo, o próprio, o célebre, prostrado ali mesmo diante dela. Contemplou-o, durante mais de uma hora, comoveu-se, quase chorou. Era de uma beleza intangível, a sua simplicidade provocou-lhe um sentimento em espiral, que a fez seguir até ao infinito. No final, saiu daquela sala envolta no conforto do esperado encontro, levando apenas consigo o resultado da sua contemplação. Ainda hoje, permanecem gravadas na sua memória, aquelas sensações de que nunca despertou. Foi a primeira vez que viu as cores do mar do Japão: o mestre Katsushika Hokusai, chamou-lhe apenas "A Grande Vaga".

M. Jota

2 comentários:

Voz disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Renato Filipe Cardoso disse...

"(...) Oh, the world is round
and I'll go around
You must risk something that matters
Oh, my hands are strong
I'll take any man here
If it's worth the going
it's worth the ride

She was 15 years old
and she'd never seen the ocean
She climbed into a van
with a vagabond
And the last thing she said
was "I love you mom"
And a little rain never hurt no one
And a little rain never hurt no one"

in "A Little Rain", Tom Waits