quarta-feira, 28 de abril de 2010


Big Bang

A minha primeira vez não se ficou por ali. Mas podia. Porque a minha primeira vez também foi a última. Eu nasci da dúvida. Zilhões de partículas espalharam-se em nada.
Um convite para entrar.
Soubesse no que me metia, não teria dado um passo. Mas como? A quietude anula-me. É a dúvida que faz de mim quem sou.
Eu nasci do desejo. Replico o desejo vezes sem conta. Sou o monstro que come tudo e nunca fica satisfeito. Vivo num limbo de dilemas. Angustia-me a serenidade. Corrói-me a impaciência.
Mato-me (ao monstro), e desejo. Por isso tento não matar-me. Mas sofro, porque tenho vontade. Cansado, não resisto e os desejos fazem-se maiores. Desejos suicidas.
Agora o maior desejo é voltar a estar quieto. Mas como? Querer parar pode ser um desejo, estar parado é a minha morte. Eu não posso parar. Tenho de continuar. Imaginação não me falta. É tão cansativo.
O buraco é tão negro que vai acabar por engolir tudo.
Com um bocado de sorte, acabo morto pelo veneno que me criou.
Ainda bem!

Duarte

7 comentários:

Renato Filipe Cardoso disse...

A Ciência já demonstrou que o «nosso» universo expandir-se-á até atingir o ponto-limite em que encetará a sua regressão. Ou seja, de acordo com a teoria científica dominante do Big Bang (há outras de cariz científico e também religioso), trata-se de um fenómeno reversível. O desejo, esse, nunca volta atrás. A não ser que toque o telefone quando vais a descer as escadas.

Mónica C. disse...

O desejo de parar é o desejo que faz voltar atrás os outros desejos, Renato. É o que se lê do texto do Duarte. Não é preciso tese científica, teológica, sobrenatural ou coisa que o valha para sustentar alguma lógica que o texto do Duarte possa querer transmitir. Ou vens, Renato, com a ciência para explicar ou contrapor os estados elegíacos do testículo de fisiologia duvidosa do Bill Engates??

Renato C. disse...

Longe de mim explicar o que for. E menos ainda contrapor o que seja. Isso seria minimalista. Enfadonho. A minha pretensão é adensar, complicar, emaranhar mais e mais o novelo. Mas se me perguntassem algures, por exemplo num inquérito de rua da marktest, eu responderia sem pestanejar que o desejo de parar é aquele que exponencia os outros, porque é a um só tempo o mais intrínseco e o que menos nos pertence. Não te esqueças: um testículo nunca vem só, a não ser em casos (de) sinistros...

PS - De que servirão os malfadados pseudónimos se nos escancaramos logo à primeira unhada?

Mónica C. disse...

Eheheh! Enfadado, desunhado, crispado ou entalado seja que de extra-planetário e altamente constestário testículo, perdão pseudónimo (des) emparelhado, eu não escancarei coisa malfadada nenhuma. Repara lá. Só perguntei se te prestarias a desfiar aí alguma teoria menos elegíaca de um fascículo esquisitóide que por aí grassa como uma mancha petrolífera em mar de coral, porque me pareceu que seria um desafio ler-te a cientificar a esse propósito. Brinco.

Duarte disse...

O que eu sou, ninguém me pode ensinar, nem eu posso desaprender. Ser, explica-se a si próprio, não carece de dúvidas.
O problema está no que eu não sou; e Isso, meus caros parceiros da esquizofrenia globalizada, é tudo o que eu tenho aprendido, porque é a única coisa que me posso ensinar.
O desejo é o pior dos meus fados; porque o desejo inventou-se e inventou-me enquanto dúvida. Eu sei, mas a coisa persiste, e desejar não ter desejos é um daqueles paradoxos..
Como qualquer praga que se preze, o desejo engorda com os antibióticos. Não há confronto que o iniba. É disso que ele vive, do desejo, e ri-se quando desejo não desejar; encostado a uma parede, completamente enfartado, a babar de desejos.
Este que escreve não existe.

Quem nasceu primeiro? O ovo ou a galinha?
Ando às voltas com isto, porque é essa a intenção de todos os paradoxos; distrair-me da verdade escondida, mantendo-me em constante movimento à procura de uma resposta. É o desejo.
A resposta é muito simples, mas a resposta é tão corrosiva para o mundo das dúvidas (mundo meu), que a obliterei do juízo.
A resposta para a pergunta do aviário, é a resposta para a vida e para a morte; nem o ovo nem galinha nasceram de verdade. É uma questão falsa, que serve a lógica da ilusão maior, que é a do ser pensante. Enquanto pensamento separado não faz sentido pensar quem sou. Outra falsa questão. Qualquer movimento afasta-me da solução, porque a resposta implica uma vacuidade que não cabe nas perguntas. Perguntar quem sou, implica afastar-me, percepcionar, andar de volta; não ser.
A resposta, que seria o verdadeiro conhecimento, só a atinjo, sendo. E isso é o que que não faço; porque isso não é perguntar, não é observável. Não existe separado. Isso é sermos o mesmo. Dissolve-me. Faz-me cá uma confusão..

Beijinhos doces
Kostadinov

Duarte disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Textos: Joshua M., Lucinda Gray, Berenice Greco, Bill Engates, Duarte, Virginia Machado, John Bell, M. Jota, K. Tan, Morgaine the Fairy, Sylvia Beirute e convidados/ Imagem: Adriano Batista disse...

Caro Kosta-di-novo Du arte

Já lá está a tua quota-re-partida no "desejo", como emér(d)ito autor do texto que levou ao chorrilho de comentários... e na grande confusão: textos que assinam autores, autores que ass-assinam os textos, assinaturas sem autor, autores sem assinatura, autores que se ass-assinam com nome de jogadores...
Sempre de considerandos assinados,
Joshua M.